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25 de agosto de 2017

Expo “Disco é Cultura”

>>>Expo “Disco é Cultura”

O disco de vinil já foi a norma, se tornou relíquia e agora é “cool”. Mas além da sua funcionalidade musical e objetiva, alguns artistas também exploraram outros significados dessa peça única. Essa exposição reúne vários artistas que fazem uma releitura, ou simplesmente uma leitura, da estética do vinil. Conheça e compareça:

Vídeo arte “A Última Aventura: suíte Transbrasil”, de Romy Pocz

Chico Dub organizou e fez a curadoria da exposição coletiva Disco é Cultura: o disco de vinil na arte contemporânea brasileira. A mostra tem como intenção uma analise da influência do disco de vinil na produção de arte contemporânea nacional. Quando se trata da relação entre arte e música, o primeiro objeto a ser analisado são as capas dos discos, isto é, sua parte meramente visual. A exposição proposta vai muito além das capas (ou da superfície), mostrando toda uma ampla gama de usos do objeto enquanto material estético de intervenção sonora, física, conceitual, ritualística e poética. Estão reunidos nos três andares do Castelinho do Flamengo, 30 obras de 20 artistas contemporâneos das artes visuais e sonoras, dentre eles, Cildo Meireles, Antonio Dias, Waltercio Caldas, Chelpa Ferro, Brígida Baltar e Chiara Banfi. São esculturas, fotografias, obras interativas, instalações, telas, performances sonoras e “discos de artista” (trabalhos onde o disco é a própria obra de arte) que vão além do uso funcional projetado para o objeto.

Nos dias de hoje, o disco de vinil transgrediu sua suposta inutilidade comercial e virou ícone pop. Antes obsoleto com o avanço do CD e da tecnologia digital, atualmente é objeto cult no mundo todo, um símbolo-fetiche muito maior do que o som presente em seus sulcos – um dos principais representantes da nossa identidade social e cultural, o disco de vinil é peça fundamental na história mundial. A cada ano, seu aumento de vendas supera as expectativas (em 2015, bateu o rendimento dos serviços de streaming), o que definitivamente o retira da categoria “revival” ou “item de colecionador”. O vinil é (novamente) uma realidade.

Além desta retomada pelo valor do som, deixando de ser parte precária do passado e tornando-se qualidade nos novos tempos sonoros, o disco de vinil transcendeu cada vez mais o mundo da música e foi apropriado em diversas frentes das artes visuais, indo além de sua materialidade visual e de seu design para explorar ideias e questões muito distantes do seu uso original.

Antes da invenção do fonógrafo por Thomas Edison em 1877, a vida sonora era linear, dependendo da memória biológica e coletiva das comunidades para ser preservada através do tempo. A possibilidade de um aparelho que grava e reproduz sons distorceu completamente a natureza espaço-tempo e o processo de informação, causando uma revolução radical na visão de mundo.

Com o gramofone chegando ao mercado em 1894, o som começa, ainda que de forma tímida, a reverberar através do outrora mundo silencioso das artes plásticas. Primeiro com Marcel Duchamp e os dadaístas; depois com John Cage; em seguida com Pierre Schaeffer e a música concreta; posteriormente com Nam June Paik e outros importantes membros do Fluxus, da arte conceitual e dos movimentos intermedia; em paralelo com os jamaicanos e seus sound systems; logo após com a cultura do break beat e do turntablism na Nova Iorque dos anos 70, que transformou o toca-discos em um instrumento musical (ao invés de um reprodutor de sons); depois com as colagens sonoras de Christian Marclay, só para citar alguns exemplos.

Disco é Cultura traz um importante papel na aproximação da música com as artes contemporâneas. As convergências são inúmeras. Basta observarmos que, em outros países e instituições, as “caixas brancas” estão cada vez mais híbridas em instituições como Whitney, MoMA, MACBA e New Museum. Convidar o público visitante de museus para, além dos olhos, usar seus ouvidos, tem se tornado uma constante. O som, devido a avanços na tecnologia e também pelo desejo de ultrapassar os limites da arte, passou a ser reconhecido e exibido como uma forma de arte em si mesmo.

01-24 setembro 2017
Centro Cultural Municipal Oduvaldo Vianna Filho – Castelinho do Flamengo
Praia do Flamengo, 158

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