Teahupoo, uma praya especial

2018-08-08T19:02:07+00:008 agosto , 2018|

Para muitos, uma onda pode ser somente uma onda, as vezes maior, as vezes menor. Mas a formação e comportamento da ondulação em cada tipo diferente de costa é um dos fatores primordiais que definem aquele pico como bom ou não. Sim, estamos falando de surf e o que pode parecer muito simples, no caso, a onda, pode ser bem mais complexo se analisarmos a fundo cada uma delas. O Havaí, por exemplo, não é apenas famoso porque recebe grandes ondulações, a maneira que essas ondas chegam na costa e o seu formato na praia são essenciais para fazer daquele lugar um paraíso do surf.

E para continuar em paraísos, vamos falar de outro lugar fantástico e que tem uma onda completamente peculiar: o Taiti. Parte do arquipélago da Polinésia Francesa, a ilha do Taiti, como as demais, tem certa semelhança com as ilhas havaianas. A uma distância considerável de qualquer plataforma continental, as ilhas podem ser vistas como pequenos obstáculos para as grandes ondulações que se movimentam pelo oceano Pacífico, mas mudando o ponto de vista, por ali existem várias bancadas perfeitas que recebem muito bem qualquer tipo de ondulação.

É o caso de Teahupoo, a onda mais famosa da ilha e uma das mais respeitadas do mundo. O pico é basicamente uma esquerda, e basicamente um tubo. Curto ( as vezes nem tanto ), pesado e intenso. Tudo isso sobre uma bancada rasa de coral bastante vivo, como se varias facas e canivetes fossem espalhados por um tapete. Essa é uma onda única, e não há nada de sobrenatural nisso. Toda a formação do pico, seu posicionamento, tanto para a terra quanto para o mar, e a geografia ao seu redor, podem explicar o fenômeno desse tubo tão perfeito.

Como a maioria da ilhas do Pacífico, o Taiti foi formada por vulcões, que durante milhares de anos foram moldando não apenas a ilha em sí, como também as bancadas de coral que comumente circulam as ilhas dessa área. No seu interior, onde quase não quebra onda, é onde se formam as piscinas naturais e praias incríveis que vemos nos pacotes de turismo vendidos por aí.

Mas o surf mesmo acontece do lado de fora das bancadas, e é extremamente importante a formação dos seus corais. Bancadas de coral normalmente são muito planas e rasas para que ondas com boa formação quebrem, ao menos que tenham algum tipo de ruptura em sua formação. Os canais ( conhecidos na Taiti como “Pass” ) são fendas e partes mais fundas na bancada. Alí, as ondas podem, graças ao contraste entre uma área funda e outra rasa, quebrar com boa formação.

No caso de Teahupoo, a bancada tomou formato com a ação do rio, que em milhares de anos foi abrindo caminho pelo coral. Assim temos um canal muito profundo que beira a bancada rasa quase paralelamente até fazer um curva brusca. É nesse desvio onde quebra a onda de Teahupoo. E outro fator importante na sua formação é a diferença acentuada entre a parte rasa da bancada e o canal. Uma ondulação tende a quebrar mais violentamente quando a mudança de profundidade é muito brusca, isso porque quanto mais fundo, mais rápido ela se move. Ao diminuir a profundidade, sua velocidade também diminui, e se essa mudança é rápida a onda tende a frear tanto que sua parte mais alta ( a crista ) vai para frente se descolando do seu resto ( como se fosse um passageiro dentro de um carro que acabou de frear repentinamente ). A crista, por ter menos contato com a superfície do mar, tem mais facilidade para se descolar. No caso de Teahupoo, ela tende a jogar bem longe da base da onda, formando o que muitos consideram o melhor tubo do mundo.

Pouco antes dessa onda quebrar, a profundidade ainda é de maior do que 50 metros para, em segundos, uma bancada com poucos metros de profundidade absorver a energia daquela onda que ainda viaja em velocidade de águas profundas. Uma curiosidade de Tehaupoo é que a partir de um tamanho, as ondas vão começar a sempre quebrar no mesmo lugar, com a mesma profundidade, não importa se uma série é muito maior que a anterior. Isso faz com que a onda só fique ainda mais tubular quando cresce. Em muitos lugares do mundo, quando o mar fica grande a onda tende a quebrar mais para fora da arrebentação, consequentemente mais cheia e menos tubular.

Até dois metros, Teahupoo pode ser uma onda bastante divertida para quem tem certa experiência no surf. Acima de dois metros a onda já necessita mais habilidade e coragem. Com mais de quatro metros, o lugar se torna realmente um desafio para poucos e dificilmente se consegue pegar uma onda dessas na remada. Nas maiores ondulações, um jet ski sempre é necessário para rebocar o surfista.

Essa é uma onda incrível para surfar, e até mesmo para apenas observar. Não é raro barcos com turistas passarem pelo canal de Teahupoo em dias de surf bom. Realmente é impressionante.

Fotos: Luiz Blanco

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